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2° DIA DA NOVENA DE NATAL

por Terra da Misericórdia
SEGUNDO DIA – TRISTEZA DO CORAÇÃO DE JESUS NO SEIO DA VIRGEM MARIA
Preparação:

     1° — Ato de Fé na presença de Deus, dizendo: “Meu Deus, eu creio que estais aqui presente e Vos adoro com todo o meu afeto”.

     2° — Ato de Humildade, por um breve ato de contrição: “Senhor, nesta hora deveria eu estar no inferno por causa dos meus pecados; de todo o coração arrependo de Vos ter ofendido, ó Bondade infinita”.

     3° — Ato de Petição de luzes: “Meu Deus, pelo amor de Jesus e Maria, esclarecei-me nesta meditação, para que tire proveito dela”.

Para o ato de contrição basta dizer: “Bondade infinita, pesa-me de Vos ter ofendido”.

Depois uma Ave Maria à Santíssima Virgem, a fim de que nos obtenha esta luz; e na mesma intenção um Glória ao Pai a São José, ao Anjo Custódio e ao nosso Santo Protetor.    

Meditação:

“Não quiseste hóstia nem oblação, porém me formaste um corpo” (Hb 10,5)

Sumário. Tudo quanto Jesus Cristo padeceu no correr da sua vida, foi-lhe posto diante dos olhos quando ainda se achava no seio de sua Mãe; e Jesus aceitou tudo por nosso amor. Porém, naquela aceitação e na repressão da repugnância natural, ó
Deus, que aflição devia experimentar o seu Coração!
Se Jesus, embora inocente, desde princípio da vida começou a sofrer por nós, não é justo que nós, que
somos pecadores, padeçamos alguma coisa por seu amor e em desconto dos nossos pecados?

I. Considera a grande amargura de que o coração de Jesus Menino devia sentir-se atormentado e oprimido no seio de Maria, quando no primeiro instante da encarnação o Pai Eterno lhe mostrou toda a série de desprezos, de dores e de angústias que
no correr da sua vida deveria sofrer, a fim de livrar os homens do seu estado de miséria. Eis o que ele falou pela boca do profeta Isaías: Mane erigit mihi aurem —“Pela manhã (o Senhor) levantar-me o ouvido”. Isto é: No primeiro instante da minha encarnação, meu Pai me fez conhecer a sua vontade, que eu levasse uma vida de sofrimentos para ser finalmente sacrificado na cruz. Ego autem non contradico; corpus meum dedi percutientibus — “Eu não contradigo; entreguei o meu corpo aos que me feriam”(Is 50, 4-6.). Ó almas, aceitei tudo pela vossa salvação e desde então entreguei o meu corpo para receber os açoites, os pregos e a morte.

Pondera que tudo o que Jesus Cristo sofreu no correr da sua vida e em sua Paixão, foi-lhe posto diante dos olhos quando ainda se achava no seio de sua Mãe. Jesus aceitou tudo com amor. Mas naquela aceitação, e na repressão de sua repugnância
natural, ó Deus, que angústias e que aflição não devia experimentar o Coração inocente de Jesus! Desde então compreenderia bem quanto teria de sofrer, primeiro nascendo numa gruta fria, pousada de animais; em seguida, tendo de morar trinta anos desconhecido na loja de um simples oficial. Já então viu que os homens haviam de tratá-lo de ignorante, de escravo, de sedutor, de réu de morte, digno da mais infamante e dolorosa morte destinada aos celerados. Tudo isso o nosso amante Redentor aceitou-o cada instante, mas cada vez que renovava a aceitação, tornava a sofrer juntas todas as penas e todas as humilhações que depois deveria sofrer até a morte. E para que? Para salvar-nos da morte eterna, a nós, miseráveis pecadores.

II. Ó meu amado Redentor, quanto Vos custou, desde a vossa primeira entrada neste mundo, tirar-me da miséria que tinha atraído sobre mim pelos meus pecados! Para me livrardes da escravidão do demônio, a quem de livre vontade me tinha vendido, Vós sujeitastes a ser tratado como o mais vil de todos os escravos. E eu, sabedor disso, tive ânimo de amargurar tantas vezes o vosso amabilíssimo Coração, que tanto me amou! Mas, já que Vós, que sois inocente e sois o meu Deus, aceitastes por meu amor uma vida e uma morte tão penosas, aceito, por vosso amor, ó Jesus meu, toda a pena que me vier das vossas mãos. Aceito-a e abraço-a por vir daquelas mãos que um dia foram transpassadas, a fim de livrar-me do inferno tantas vezes merecido pelos meus pecados. Ó meu Redentor, o amor que mostrastes em oferecer-Vos a sofrer tanto por mim, constrange-me demais a aceitar por vosso amor toda a pena, todo o desprezo. Ó meu Senhor, pelos vossos merecimentos dai-me o vosso santo amor; este tornar-me-á suaves e amáveis todas as dores e todas as ignomínias. Amo-Vos sobre todas as coisas, amo-Vos de todo o meu coração, amo-Vos mais que a mim mesmo.

Durante toda a vossa vida me tendes dado provas demasiadamente grandes do vosso afeto para comigo. Eu, ingrato, já tenho vivido tantos anos nesta terra e quais são as provas de amor que Vos mostrei? Fazei, ó meu Deus, que ao menos nos anos de vida que me restam, Vos dê alguma prova de meu amor. Não tenho coragem de comparecer na vossa presença, quando vierdes a julgar-me, tão pobre como agora me acho, sem ter feito alguma coisa por vosso amor. Mas, que posso fazer sem a vossa graça? Nada senão pedir-Vos que me socorrais, e este mesmo pedido ainda é uma graça da vossa parte. Jesus meu, socorrei-me pelos merecimentos de vossas penas e do sangue que por mim derramastes. Maria Santíssima, recomendai-me a vosso Filho, peço-o pelo amor que lhe tendes. Lembrai-vos que sou uma daquelas ovelhas pelas quais vosso Filho morreu.

Conclusão:

Enfim, a conclusão da oração compõem-se de três atos:

     1° De agradecimento pelas luzes recebidas, e de pedido de perdão das faltas cometidas no tempo da oração: “Senhor, eu Vos agradeço as luzes e os afetos que me destes nesta meditação e Vos peço perdão das faltas nela cometidas”.
   2° De oferecimento das resoluções tomadas e de propósito de guardá-las fielmente: “Meu Deus, eu Vos ofereço as resoluções que com a vossa graça acabo de tomar, e resolvido estou a executá-las, custe o que custar”.
     3° De súplica, pedindo ao Pai Eterno, pelo amor de Jesus e de Maria, a graça de executá-las fielmente: “Meu Deus, pelos merecimentos de Jesus Cristo e pela intercessão de Maria Santíssima, dai-me a força de pôr fielmente em prática as resoluções que tomei”.

Termina-se a oração recomendando a Deus a Santa Igreja, os seus Prelados, as almas do purgatório, os pecadores, e todos os nossos parentes, amigos e benfeitores, por um Pai Nosso e uma Ave Maria, que são as orações mais úteis por nos serem ensinadas por Jesus Cristo e pela Igreja: “Senhor, eu Vos recomendo a Santa Igreja, com os seus Prelados, as almas do purgatório, a conversão dos pecadores, e todas as minhas necessidades espirituais e temporais bem como as dos meus parentes, amigos e benfeitores”.

Que assim seja, Amém.

Novena de Natal de Santo Afonso de Ligório (baixe o PDF)

 

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